O que é a Hierarquia de Controle de Riscos?
A Hierarquia de Controle de Riscos é uma metodologia reconhecida mundialmente para prevenir acidentes e doenças ocupacionais. Ela organiza as medidas de prevenção em uma ordem de prioridade: da mais eficaz até a menos eficaz.
No Brasil, esse conceito aparece em diferentes Normas Regulamentadoras (NRs), especialmente na NR-06 (Equipamentos de Proteção Individual) e na NR-09 (Avaliação e Controle dos Riscos Ambientais).
Em resumo: a hierarquia mostra que o uso de EPI deve ser sempre a última linha de defesa, nunca a única medida de proteção.
A importância da Hierarquia de Controle de Riscos
Muitas empresas ainda acreditam que fornecer EPI resolve os problemas de segurança. Mas a realidade é que os EPIs não eliminam o risco, apenas reduzem as consequências.
Aplicar a hierarquia corretamente garante:
- Redução real dos riscos na origem.
- Menor dependência do comportamento humano.
- Conformidade legal com as NRs.
- Redução de custos com afastamentos e acidentes.
- Valorização da cultura de prevenção.
Etapas da Hierarquia de Controle de Riscos
1. Eliminação do risco
A forma mais eficaz de proteção é eliminar completamente o perigo.
- Exemplo: retirar uma máquina obsoleta e substituir por um processo automatizado que não expõe o trabalhador.
2. Substituição
Quando não é possível eliminar, deve-se trocar o risco por algo menos perigoso.
- Exemplo: substituir um solvente tóxico por um produto menos nocivo.
3. Medidas de Engenharia
São intervenções no ambiente de trabalho que isolam o trabalhador da fonte de risco.
- Exemplos: enclausuramento de máquinas, sistemas de exaustão local, barreiras físicas.
4. Medidas Administrativas
São práticas organizacionais que reduzem a exposição ao risco.
- Exemplos: treinamentos, rodízios de função, sinalizações de segurança, limitação do tempo de exposição.
5. Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
São a última etapa da hierarquia. Devem ser usados quando as medidas anteriores não conseguem controlar totalmente o risco.
- Exemplo: máscaras com filtro para vapores, protetores auriculares, óculos de proteção.
Exemplo prático: Inalação de vapores tóxicos
Imagine uma indústria química onde trabalhadores estão expostos a vapores tóxicos:
- Eliminação: substituir o processo por outro que não gere vapores.
- Substituição: utilizar um reagente menos tóxico.
- Engenharia: instalar ventilação local exaustora.
- Administrativas: rodízio de trabalhadores para reduzir exposição.
- EPI: uso de respiradores com filtro adequado.
Perceba que o EPI é apenas a última barreira. O ideal é sempre agir antes dele.
Benefícios de aplicar a Hierarquia de Controle de Riscos
- Mais segurança para os trabalhadores.
- Cumprimento legal das Normas Regulamentadoras.
- Redução de custos com EPIs, afastamentos e passivos trabalhistas.
- Aumento da produtividade, já que ambientes mais seguros geram menos interrupções.
- Imagem positiva da empresa, mostrando responsabilidade social.
Erros comuns das empresas
- Focar apenas na compra de EPIs.
- Não atualizar o inventário de riscos do PGR (NR-01).
- Ignorar soluções de engenharia por causa do custo inicial.
- Deixar de treinar os trabalhadores sobre riscos e controles.
Hierarquia de Controle e a legislação brasileira
A aplicação dessa hierarquia está prevista em diversas normas:
- NR-06: orienta sobre fornecimento de EPIs.
- NR-09: trata do controle de riscos ambientais.
- NR-17: aborda aspectos ergonômicos.
- NR-01: exige o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que deve considerar a hierarquia na análise de perigos.
Integração com programas de gestão
A hierarquia não deve ser aplicada isoladamente. Ela precisa estar integrada aos principais programas da empresa, como:
- PGR (NR-01) – gestão dos riscos ocupacionais.
- PGRS (Lei 12.305/2010) – gestão de resíduos sólidos perigosos.
- AET (NR-17) – prevenção de riscos ergonômicos.
Essa integração cria uma gestão mais completa e eficaz.
Conclusão
A Hierarquia de Controle de Riscos é uma ferramenta essencial para proteger vidas e reduzir acidentes.
Ela mostra que a verdadeira segurança começa na eliminação e substituição dos riscos, passando por medidas de engenharia e administrativas, e que o EPI deve ser sempre a última opção.
Se sua empresa precisa de apoio na elaboração do PGR ou na aplicação prática da hierarquia, fale com a Cuidado Certo Segurança Ocupacional e garanta ambientes de trabalho mais seguros.
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